Eluvie Blog

Contrato de social media: as cláusulas que evitam prejuízo

As oito cláusulas que um contrato de social media precisa ter para proteger escopo, prazo, reajuste e caixa da sua agência.

A maior parte dos prejuízos em contrato de social media não vem de cliente mal-intencionado. Vem de contrato vago, onde as duas partes assinaram entendendo coisas diferentes. Um contrato bom não é longo, é específico nos pontos que geram conflito.

1. Escopo em quantidade, com nome e formato

"Gestão de redes sociais" não é escopo. Escopo é: 12 peças estáticas por mês, 4 vídeos verticais de até 30 segundos, publicação em Instagram e LinkedIn, 1 relatório mensal, 1 reunião de 1 hora. Diga também o que não está incluído: gravação externa, ator, tráfego pago, criação de site, cobertura de evento.

A lista de exclusões vale mais que a de inclusões, porque é sobre ela que o cliente vai reclamar depois.

2. Teto de rodadas de ajuste

Duas rodadas por peça, com a terceira orçada por hora. Sem esse teto, o cliente indeciso consome três vezes mais horas pelo mesmo valor. Defina também prazo de resposta: peça sem retorno em cinco dias úteis é considerada aprovada. Isso resolve o cliente que trava o cronograma e depois cobra atraso.

3. Aprovador único

Nomeie no contrato quem aprova. Aprovação por comitê é o gerador silencioso de rodada infinita, porque cada participante entra com uma opinião nova em um momento diferente. Uma pessoa responsável, com substituto nomeado, encurta ciclo e reduz retrabalho.

4. Reajuste anual indexado

Escreva o percentual ou o índice e o mês de aplicação. Reajuste que depende de negociação anual raramente acontece: ninguém quer ter a conversa, e a margem derrete por inflação. Com cláusula, o reajuste é uma comunicação, não uma negociação.

5. Prazo, renovação e aviso de rescisão

Contrato de 12 meses com renovação automática e aviso prévio de 30 a 60 dias. O aviso prévio é a cláusula que protege o caixa: sem ela, um cliente que representa 20% da receita pode sair no dia 30 e deixar a folha do mês seguinte descoberta.

Para contratos com investimento inicial alto de setup, vale prever multa proporcional em caso de rescisão nos primeiros meses.

6. Multa e suspensão por atraso de pagamento

Multa, juros e, principalmente, o direito de suspender a entrega após um número definido de dias de atraso. A suspensão é o que dá poder de negociação real. Sem ela, você continua produzindo para quem não paga, e o custo de sair aumenta a cada mês.

7. Propriedade intelectual condicionada ao pagamento

A cessão de direitos sobre as peças ocorre com o pagamento integral. Parece detalhe jurídico, mas é a cláusula que evita o cenário de cliente usando material entregue e não pago. Deixe claro também o que acontece com arquivos abertos, fontes licenciadas e banco de imagens: licença de terceiro normalmente não é transferível.

8. Acessos, senhas e responsabilidade de plataforma

Defina que as contas de rede social e o Business Manager pertencem ao cliente e que a agência atua com acesso delegado. Isso protege a agência de responsabilidade por bloqueio de conta, mudança de política de plataforma ou queda de alcance. Registre também que resultados de alcance e engajamento dependem de algoritmo de terceiro e não são garantidos.

O que não colocar

Evite garantia de resultado numérico (seguidores, alcance, leads). Além de ser fora do seu controle, transforma qualquer mês ruim de plataforma em quebra de contrato. Prometa processo e entrega, não número que depende de terceiro.

Contrato só funciona se for usado

Cláusula que ninguém acompanha é decoração. Se você não sabe quantas rodadas de ajuste aquele cliente já pediu, o teto não existe. Se você não sabe quantos dias o pagamento está atrasado, a multa não existe. Se você não sabe quando o contrato vence, a renovação e o reajuste passam batido.

É por isso que contrato e controle andam juntos: a Eluvie mantém vencimento, reajuste, escopo e recebimento visíveis no mesmo painel. Para dimensionar o valor antes de escrever o contrato, use a calculadora de valor/hora.