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Fluxo de caixa para agências: o modelo de 13 semanas
Monte uma projeção de caixa rolante de 13 semanas para sua agência e descubra com antecedência a semana em que o saldo fica negativo.
Agência não quebra por falta de faturamento. Quebra por descasamento de datas: a nota é emitida em março, o cliente paga em maio, e a folha vence dia 5. O demonstrativo de resultado não mostra isso, porque ele fala de competência, não de dinheiro na conta. Quem resolve esse problema é a projeção de caixa rolante de 13 semanas.
Por que 13 semanas e não 12 meses
Treze semanas é um trimestre em granularidade semanal. É longo o suficiente para você enxergar o efeito de um contrato que termina em junho, e curto o suficiente para a projeção não virar ficção. Projeções anuais em agência erram por natureza: o pipeline muda toda semana. Já a semana é a unidade real da operação, porque folha, impostos, assinaturas de software e boletos caem em datas fixas dentro da semana.
Rolante significa que, toda segunda-feira, você apaga a semana que passou e adiciona uma nova no fim. O horizonte é sempre de 13 semanas à frente, nunca encurta.
As quatro linhas que a planilha precisa ter
A maioria das agências monta um fluxo de caixa com quarenta linhas e abandona no segundo mês. Comece com quatro blocos:
- Saldo inicial: o que está na conta na segunda-feira. Um número, conferido no extrato, não estimado.
- Entradas contratadas: recebimentos de contratos assinados, com a data de vencimento real do boleto ou da fatura, não a data do serviço prestado.
- Entradas prováveis: propostas em negociação, ponderadas pela probabilidade de fechamento. Uma proposta de R$ 12.000 com 50% de chance entra como R$ 6.000, na semana em que o pagamento cairia.
- Saídas: folha e pró-labore, encargos e impostos, freelancers, mídia paga adiantada pela agência, software, aluguel.
O saldo final de uma semana é o saldo inicial da seguinte. É a única fórmula obrigatória.
O erro que invalida a projeção: mídia paga no cartão da agência
Agências de performance costumam adiantar verba de mídia no cartão corporativo e reembolsar depois. No papel isso é neutro. No caixa, não: você paga a fatura em 10 dias e recebe o reembolso em 30. Uma agência que gerencia R$ 200.000 de mídia por mês está financiando o cliente com capital de giro próprio, sem cobrar por isso.
Na projeção, essa verba tem que aparecer como duas linhas separadas, com datas diferentes: a saída no vencimento do cartão e a entrada no vencimento do reembolso. Quando você vê a diferença desenhada semana a semana, a conversa com o cliente sobre pagamento antecipado de mídia deixa de ser desconfortável e passa a ser óbvia.
Como tratar o cliente que sempre atrasa
Não projete pela data do contrato. Projete pelo comportamento observado. Se um cliente historicamente paga com 12 dias de atraso, lance o recebimento com 12 dias de atraso. Uma projeção honesta, mesmo que desagradável, vale mais do que uma otimista.
Vale manter uma coluna simples com o atraso médio de cada cliente dos últimos seis meses. Além de melhorar a projeção, esse número é o argumento para negociar antecipação, mudar a data de faturamento ou aplicar multa contratual.
Ler a projeção: o que fazer com o resultado
A projeção tem uma função só: mostrar a primeira semana em que o saldo final fica negativo. Se essa semana está a menos de quatro semanas de distância, as alavancas são de curto prazo, e nessa ordem: cobrar inadimplentes, antecipar recebíveis, adiar despesas não críticas, negociar prazo com fornecedores.
Se a semana crítica está entre a quinta e a décima terceira, o problema é estrutural e as alavancas são outras: revisar precificação, mudar a política de pagamento de novos contratos para 50% na assinatura, cortar software subutilizado, ou aumentar a participação de receita recorrente.
Se nenhuma semana fica negativa nas 13, você tem folga. Aí a pergunta muda: qual é o colchão mínimo de caixa que a agência quer manter? Uma referência prática para operações de serviço é três meses de custo fixo. Abaixo disso, qualquer perda de um cliente grande vira emergência.
Frequência e responsável
Toda segunda-feira, 20 minutos, sempre a mesma pessoa. A projeção de caixa perde valor rápido: uma planilha atualizada há três semanas é pior do que nenhuma, porque gera decisões erradas com aparência de dados. Se ninguém na agência tem esse horário reservado na agenda, o modelo não vai sobreviver ao segundo mês.
Quando a planilha deixa de servir
A planilha funciona bem até cerca de 15 contratos ativos. A partir daí, o gargalo não é a matemática, é a alimentação de dados: alguém precisa lembrar de lançar cada nova proposta, cada reajuste, cada contrato encerrado. É onde a projeção começa a divergir da realidade sem que ninguém perceba.
A Eluvie resolve isso ligando proposta, contrato e recebimento no mesmo lugar, de modo que a projeção se atualiza quando o comercial trabalha, não quando o financeiro se lembra. Se você quiser um retrato da sua situação antes de mudar de ferramenta, o diagnóstico gratuito aponta em poucos minutos onde está o vazamento.